Justiça de SP autoriza Suzane von Richthofen como administradora de herança avaliada em R$ 5 milhões
Decisão considera irrelevante o histórico criminal da herdeira e define que ela administrará os bens deixados pelo tio até a partilha
A Justiça de São Paulo nomeou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio do médico Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em janeiro deste ano dentro da residência onde vivia, no bairro Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista. O patrimônio deixado pelo médico é estimado em aproximadamente R$ 5 milhões.
A decisão foi proferida pela juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões, que destacou que a condenação criminal de Suzane pelo assassinato dos pais, ocorrido em 2002, não interfere juridicamente no andamento do processo de inventário.
Segundo a magistrada, como não houve manifestação de interesse do outro herdeiro, Suzane é a única pessoa apta a exercer a função. “O histórico criminal da herdeira não tem relevância jurídica nestes autos e, diante da ausência de interesse do outro herdeiro, cabe a ela o múnus”, registrou na decisão.
Miguel Abdalla Netto tinha 76 anos, era solteiro, não possuía filhos e não deixou testamento. Pela legislação brasileira, nessas circunstâncias, a herança deve ser destinada aos sobrinhos vivos. Assim, os herdeiros são Suzane e seu irmão, Andreas von Richthofen.
O espólio é formado por dois imóveis e um veículo. Antes da definição judicial, a empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico, disputava com Suzane a administração dos bens até a conclusão da partilha.
Função de inventariante
A nomeação como inventariante não garante a Suzane a posse exclusiva do patrimônio. A função se limita à administração, preservação e representação judicial dos bens durante o andamento do inventário, até que a Justiça decida a divisão definitiva entre os herdeiros.
No exercício do cargo, Suzane ficará responsável pela gestão dos imóveis, do automóvel e de eventuais contas vinculadas ao espólio, sempre sob fiscalização do Judiciário. Ela não poderá vender ou transferir os bens e deverá prestar contas regularmente de todos os atos praticados.
Ligação familiar
Miguel Abdalla Netto era irmão de Marísia von Richthofen, morta em 2002 ao lado do marido, Manfred von Richthofen.
O crime foi cometido por Daniel Cravinhos, então companheiro de Suzane, e pelo irmão dele, Cristian Cravinhos, com a participação de Suzane. Os três foram condenados pela Justiça.
Por oimparcial.com.br