Vorcaro sobre contrato com mulher de Moraes: “O careca não pode atrasar”

Polícia Federal encontrou mensagens em que o ex-banqueiro manda pagamento não atrasar e registra repasses de R$ 3 milhões ao escritório Barci de Moraes

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tratava como prioridade o pagamento ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). É o que mostram mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e reunidas em relatório entregue ao ministro André Mendonça.

A relação começou em janeiro de 2024. No dia 11 daquele mês, Viviane enviou a Vorcaro uma minuta de contrato de prestação de serviços. O documento passou por alterações feitas pelo advogado Leonardo Palhares e teve uma versão final enviada em 17 de janeiro. O contrato, assinado por Vorcaro em 23 de janeiro, previa R$ 3 milhões mensais.

 

Em 8 de fevereiro, Vorcaro pediu ao cunhado Fabiano Zettel uma cópia do contrato assinado e perguntou quando seria feito o primeiro pagamento. No mesmo dia, recebeu o comprovante de uma transferência de R$ 3,42 milhões do Banco Master para o escritório Barci de Moraes.

Um mês depois, o empresário Fábio Faria escreveu a Vorcaro: “O careca não pode atrasar” Na sequência, Vorcaro cobrou o pagamento de um funcionário e afirmou que o contrato com o escritório era “o mais importante” que tinham. Também determinou que o pagamento não poderia “atrasar um dia”. 

A orientação foi reforçada em outra mensagem: “Pode pagar sempre, sem nota” e “Do jeito que for”. 

As mensagens continuaram nos meses seguintes. Em abril de 2025, Vorcaro determinou que ninguém tivesse acesso ao contrato com o escritório. Em julho, houve outro pagamento de R$ 3,42 milhões.

Segundo contrato 

A PF também encontrou um segundo contrato, firmado em maio de 2025 entre o escritório e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro. O acordo envolvia ativos como cotas de aeronave e helicóptero.

Em julho, o advogado Leonardo Palhares cobrou o início dos pagamentos. Vorcaro respondeu que o fluxo seria “num volume maior” e pediu urgência. Dias depois, um funcionário informou sobre uma cobrança de R$ 22,8 milhões emitida pelo escritório.

O relatório da PF registra ainda conversas sobre a transferência dos ativos e o uso de aeronaves vinculadas ao acordo. Em uma delas, um interlocutor menciona um “risco reputacional grande” relacionado à estrutura do contrato.

A PF ressalta que a análise do material não foi exaustiva, devido ao prazo de 72 horas determinado judicialmente. O relatório também não conclui, a partir dessas mensagens, que Alexandre de Moraes tenha participado pessoalmente das negociações ou dos pagamentos.

* Fonte: Correio Braziliense