Maranhão ocupa penúltima posição em ranking nacional de qualidade de vida; São Luís é a 17ª entre as capitais
Com 57,59 pontos, o estado registrou um desempenho considerado bem abaixo da média brasileira
O Maranhão ocupa a penúltima posição no país em um levantamento que avalia os maiores desafios de qualidade de vida da população. O dado faz parte do Índice de Progresso Social (IPS), divulgado nesta quarta-feira (20) pelo instituto Imazon em parceria com outras organizações.
Com 57,59 pontos, o estado registrou um desempenho considerado bem abaixo da média brasileira. O IPS mede e classifica o bem-estar social com base em 57 indicadores sociais e ambientais, utilizando dados de fontes públicas como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas.
O cenário entre as capitais e no estado
No recorte das capitais, São Luís ocupa a 17ª posição no ranking nacional, somando 65,64 pontos. No topo da lista das capitais com melhor qualidade de vida estão:
- Curitiba (PR): 71,29 pontos
- Brasília (DF): 70,73 pontos
- São Paulo (SP): 70,64 pontos
- Campo Grande (MS): 69,77 pontos
- Belo Horizonte (MG): 69,66 pontos
Já no cenário estadual, logo após a capital, os municípios maranhenses que apresentaram os melhores índices de qualidade de vida foram Paço do Lumiar (63,06 pontos) e São José de Ribamar (62,42 pontos).
Os contrastes da capital maranhense
Embora ocupe o 17º lugar entre as capitais, São Luís aparece na 663ª posição no ranking geral que engloba todos os municípios do Brasil.
O estudo aponta que a cidade vive uma realidade de contrastes:
- Pontos fortes: O melhor resultado da capital maranhense foi na área de Oportunidades, com destaque para a Inclusão Social, setor no qual conquistou a 41ª posição nacional. Houve também avanços significativos em saúde, acesso à informação e estrutura urbana.
- Desafios: Por outro lado, a cidade ainda enfrenta graves gargalos em áreas básicas, especialmente no acesso a serviços essenciais e no combate à desigualdade social.
Municípios mais vulneráveis
O levantamento do IPS também joga luz sobre a extrema vulnerabilidade no interior do estado. Municípios como Peritoró (47,53 pontos), Cajari (47,87 pontos) e Marajá do Sena (47,90 pontos) registraram os menores desempenhos do Maranhão e estão amargando posições entre os piores resultados de todo o país.
O caso mais crítico é o de Peritoró, que ocupa a indigesta 18ª posição entre os municípios com os índices mais baixos do Brasil.
Radiografia dos problemas e a linha da desigualdade
De acordo com o estudo, o cenário nessas cidades é alarmante devido a fatores específicos:
- Baixo desempenho generalizado: Os municípios registraram notas insuficientes em quase todos os indicadores analisados, com um impacto severo na qualidade de vida da população.
- Barreira nas Oportunidades: A área de Oportunidades foi a que apresentou os resultados mais baixos, limitando o desenvolvimento social dos moradores.
- Falta do básico: Há uma persistente dificuldade no acesso a serviços públicos essenciais, como saneamento, saúde e educação.
Os dados escancaram um abismo social dentro do próprio território maranhense. Enquanto um grupo muito restrito de cidades consegue apresentar avanços e bons resultados, a esmagadora maioria dos municípios do estado ainda patina em problemas estruturais históricos e profunda desigualdade social.
Confira os dez municípios melhores avaliados no Maranhão
| Município | IPS Brasil 2026 | Ranking nacional |
| 1. São Luís | 65,64 | 663 |
| 2. Paço do Lumiar | 63,06 | 1637 |
| 3. São José de Ribamar | 62,42 | 1900 |
| 4. Pedreiras | 62,05 | 2048 |
| 5. Pastos Bons | 61,98 | 2082 |
| 6. Timon | 61,78 | 2188 |
| 7. Açailândia | 61,52 | 2306 |
| 8. Belágua | 61,46 | 2335 |
| 9. Imperatriz | 61,16 | 2479 |
| 10. São João dos Patos | 60,43 | 2835 |
IPS Brasil 2026
O IPS Brasil 2026 avalia os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais. O relatório mostra que a qualidade de vida no país segue marcada por desigualdades persistentes, com diferenças relevantes entre regiões e municípios.
O Progresso Social é definido como a capacidade da sociedade de atender às necessidades humanas básicas, garantir qualidade de vida e ampliar oportunidades para que todos os indivíduos possam atingir seu potencial. Para calcular o índice, o IPS leva em consideração 57 indicadores sociais ou ambientais, com foco em resultados, uso de dados públicos confiáveis, atualizados e com ampla cobertura territorial.
“Ou seja, o IPS mede resultados e não volume de investimentos, ou riquezas, nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato”, sendo entregues aos cidadãos”, afirma Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.
Por oimparcial