Governo Lula tenta acordo com EUA para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros
Reunião entre Lula e Trump abriu canal de negociação bilateral e criou grupo de trabalho para discutir impasses comerciais
O governo federal intensificou as articulações diplomáticas com os Estados Unidos para tentar impedir a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A movimentação ganhou força após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado na quinta-feira (7), na Casa
Como resultado do encontro, Brasil e Estados Unidos concordaram em criar um grupo bilateral de trabalho que terá 30 dias para discutir as tarifas aplicadas no comércio entre as duas nações.
Auxiliares do governo brasileiro avaliam que, sem a conversa direta entre os presidentes, haveria maior possibilidade de medidas rápidas contra exportações brasileiras. A preocupação do Planalto está relacionada ao uso, pelos americanos, da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Integrantes do governo admitem reservadamente que o Brasil poderá ter de flexibilizar alguns pontos durante as negociações para evitar um agravamento da disputa comercial.
A expectativa é que, durante o período de diálogo, não sejam anunciadas novas taxas contra produtos brasileiros. Ainda assim, interlocutores do governo demonstram cautela diante da postura considerada imprevisível da atual gestão americana.
Segundo relatos de participantes da reunião, o principal assunto tratado na Casa Branca foi justamente a política tarifária entre os dois países. O representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, teria criticado as tarifas aplicadas pelo Brasil sobre produtos americanos.
Outro ponto levantado pelo governo americano foi a posição brasileira na Organização Mundial do Comércio contra propostas internacionais que defendem isenção tarifária para o comércio eletrônico.
De acordo com assessores do governo brasileiro, a meta agora é construir um entendimento que permita aos Estados Unidos apresentar resultados políticos internos sem gerar prejuízos significativos ao setor produtivo brasileiro.
No Planalto, também há avaliação de que parte da pressão comercial americana recebe influência de setores ligados ao bolsonarismo dentro do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Integrantes do governo apontam que esses grupos teriam atuado em favor de medidas mais rígidas contra o Brasil, incluindo o aumento de tarifas anunciado no ano passado, que elevou impostos sobre determinados produtos brasileiros em até 50%.
Além da pauta econômica, Lula e Trump também discutiram cooperação no combate ao crime organizado e questões relacionadas à concessão de vistos para brasileiros, incluindo integrantes ligados ao Supremo Tribunal Federal e profissionais vinculados ao programa Mais Médicos.
Apesar das recentes críticas americanas às propostas brasileiras de regulamentação das plataformas digitais, o tema das big techs não entrou na pauta do encontro.
A expectativa do governo brasileiro é de que as negociações avancem nas próximas semanas por meio do grupo de trabalho criado após a reunião bilateral.
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