“O nosso petróleo está parado”, diz Aldo Rebelo
Ao lado do pré-candidato a senador, Simplício Araújo, pré-candidato à presidência fala de propostas que rebatem diretamente a gestão federal, mas afasta ideia polarização
“O nosso petróleo está parado pelo estado brasileiro”, disparou o jornalista e escritor Aldo Rebelo (DC), em lançamento de pré-candidatura à presidência, no Maranhão. O ex-ministro dos governos Lula e Dilma Roussef e ex-presidente da Câmara dos Deputados 2005-2007), tem feito duras críticas à gestão federal no que diz respeito ao que considera um bloqueio à exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira. Rebelo tem como postura política o nacionalismo e defende um projeto desenvolvimentista para a economia do país.
Ao lado do também pré-candidato ao Senado Federal, Simplício Araújo (DC), em coletiva de imprensa em São Luís, o ex-ministro da Defesa foi além e advertiu que o Brasil precisa reduzir a dependência de fertilizantes importados, chegando a desafiar a atual ministra Marina Silva sobre o assunto. “Quero que ela venha a público explicar porque estão travados os projetos de exploração de petróleo e gás na região”.
Aldo Rebelo já havia criticado o Ibama em outros veículos por vetar a exploração de petróleo, apesar de, recentemente, ter classificado como “vitória do Amapá e do Brasil” a licença do órgão para a pesquisa de petróleo na região, reforçando a importância dessa atividade para a economia local e nacional.
Entre outros atos da gestão federal, Rebelo destacou também que, ao ser relator da Lei de Biossegurança, foi contra a demarcação dessas terras indígenas da forma realizada pela Funai, no governo Lula. “Escrevi vários artigos no jornal O Estado de S. Paulo e disse a ele: ‘o seu governo vai cometer um grave erro e o Supremo vai cometer um grave erro ao entregar uma área enorme do Brasil, imobilizar uma área em Roraima, quando os índios que estão precisando de terras, estão precisando de infraestrutura, de escola, de hospital’”, disse.
Segundo ele, as “demarcações não são feitas para proteger índio”, mas sim para “imobilizar o território brasileiro, pois os países que financiam essas ONGs, que fazem os laudos para a Funai, não querem que o Brasil utilize as suas riquezas. Eles querem que essas riquezas fiquem guardadas para eles ou que o Brasil não concorra com eles no mercado internacional”, disparou novamente.
Nem direita nem esquerda: “Divisão artificial do país”
Essas e outras questões foram levantadas após pergunta sobre sua guinada à direita com a mudança para o partido Democracia Cristã nesta disputa eleitoral, já que anteriormente, Aldo esteve no campo da esquerda, em legendas como PCdoB, PDT e PSB, além de compor os governos do PT como ministro. Ele avaliou o assunto como uma “divisão artificial do país entre esquerda e direita”.
Destacando a demarcação de território indígena, o pré-candidato exemplificou assuntos de extrema complexidade que não podem ser simplesmente polarizados: “Dá para perguntar aos índios lá de Amajari, em Roraima o que eles querem? Se é direita ou esquerda? Eles querem infraestrutura, equipamentos, máquinas, estrada, escola, posto de saúde. Aí você pega e entrega, para 20 mil índios yanomami, uma área maior do que Santa Catarina. Sabe para quê? Para imobilizar Roraima. Roraima não tem saída. Está tudo ali proibido. Pecuária também não dá, mineração, atividade econômica também não dá. Então, não é a esquerda e direita que resolve isso”.
Ainda sobre ser colocado como candidato de direita, Aldo foi questionado por nossa reportagem sobre o que diferencia o projeto dele para os demais candidatos de mesma ideologia, a exemplo do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), em segundo lugar nas pesquisas. O democrata cristão reafirmou respeito a todas as candidaturas e que a democracia é espaço de pluralidade, mas que o seu grupo quer apresentar um projeto. “Nós não estamos aqui para fazer oposição, por fazer oposição ou para atacar pessoas. Nós estamos aqui para discutir o Maranhão. O Maranhão precisa de um projeto que olhe para o setor produtivo, que olhe para a infraestrutura, que olhe para a educação de base. É isso que nos diferencia. A nossa trajetória é de serviços prestados e de compromisso com as causas populares e nacionais.”
Ex-secretário de Indústria e Comércio do Maranhão, o pré-candidato ao Senado Federal que compõe a chapa de Aldo, Suplício Araújo, complementou falando sobre ideias para o desenvolvimento econômico no Maranhão e no Brasil: “O que a gente percebe nas ruas é um desejo de mudança, mas uma mudança com segurança. As pessoas estão cansadas da polarização que não resolve o problema do preço da comida, que não resolve o problema do desemprego. Essa nossa união aqui é programática. É em torno de ideias, não apenas de nomes.” Em relação ao desenvolvimento dos estados, no que diz respeito ao Maranhão, Aldo Rebelo preza por uma economia mais fortalecida para o estado. E emendou: “O Maranhão não pode ser o estado que lidera as estatísticas de pobreza do país, tendo as potencialidades que tem. Então, o esforço do nosso grupo é no sentido de oferecer ao Maranhão uma alternativa que una o estado, que pacifique-o e coloque o estado no caminho do desenvolvimento e da valorização da sua gente.” “Não tenho amarras”, reforça Simplício sobre sua candidatura ao Senado Federal
Em relação às outras candidaturas ao Senado Federal, a exemplo da atual senadora Eliziane Gama (PSD) e do atual senador Weverton Rocha (PDT), pré-candidatos à reeleição, e outros nomes em destaque como ainda supostos para concorrer à vaga, Simplício Araújo foi taxativo ao responder a reportagem sobre o que diferencia sua pré-candidatura: “Não tenho amarras”. O ex-secretário de estado do ex-governador Flávio Dino falou ainda de celeumas como pautas relativas ao Supremo Tribunal Federal (STF): “Eu acho que hoje a gente tem uma pauta que é colocar o STF no seu devido lugar. Senador ou candidato a senador que não tenha amarras. E eu tenho a tranquilidade, sem precisar baixar o nível, de colocar esse debate no devido tempo e no devido lugar. Nós precisamos de senadores para defender o Maranhão, defender o Brasil, e não para defender o governador do estado. Senador não é para governador, senador não é para presidente. Senador é para fiscalizar o governador e o presidente”
Avaliando sua aliança com Aldo Rabelo nessas eleições, Simplício ressalta espaço aberto para pensar e dialogar sobre o Maranhão, de forma que venha a suprir de fato as necessidades do estado. “Nós tivemos dois exemplos recentes: um, onde a população mais pobre do Brasil, e que depende das aposentadorias, foi roubada pelo INSS; e outra, onde a população mais conservadora do Brasil, que é a maranhense, a que nós temos os casamentos mais perenes, por exemplo, do país, foi desrespeitada na Sapucaí. Quanto a esses e outros assuntos, o Aldo é uma das melhores posturas e propostas para a gente tirar o debate da torcida organizada e trazer para a geração de emprego, que é o que eu sempre defendo aqui, o que eu sempre defendo, a geração de renda, crescimento e desenvolvimento do Maranhão” finalizou.
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