7 de setembro: Maranhão teve sua própria batalha pela Independência

Enquanto o 7 de Setembro de 1822 marcou o início da ruptura com Portugal, o Maranhão só reconheceu a Independência em julho de 1823, após conflitos e pressão militar

Quando se fala em Independência do Brasil, a imagem que imediatamente vem à memória é a de D. Pedro às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, erguendo a espada e proclamando “Independência ou Morte!”. A cena, eternizada pelo pintor Pedro Américo na obra “Independência ou Morte”, de 1888, tornou-se um dos principais símbolos da história brasileira. Mas, para além da representação construída ao longo do tempo, a ruptura com Portugal foi um processo longo e marcado por diferentes experiências em cada região do país.

No Maranhão, a independência não chegou em 7 de setembro de 1822. A província permaneceu leal a Portugal e só aderiu ao projeto de independência liderado por D. Pedro dez meses depois, em 28 de julho de 1823. A data, que hoje integra o calendário histórico maranhense, revela que a separação política do Brasil não ocorreu de maneira uniforme nem simultânea em todo o território.

 

De acordo com o professor Euges Lima, é justamente essa perspectiva que precisa ser considerada quando se fala sobre a Independência do Brasil.

“É importante compreender que a Independência do Brasil não foi apenas resultado do famoso grito ‘Independência ou Morte!’, tradicionalmente atribuído a D. Pedro às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, no dia 7 de setembro de 1822. A Independência do Brasil foi um processo e, como todo processo histórico, envolveu uma série de acontecimentos e desdobramentos. O famoso grito do Ipiranga, aliás, é bastante questionado pelos historiadores, não porque esse momento necessariamente não tenha ocorrido, mas porque, provavelmente, não aconteceu com toda a monumentalidade e o simbolismo que posteriormente foram incorporados ao imaginário nacional, especialmente a partir do quadro ‘Independência ou Morte’, de Pedro Américo, pintado em 1888.”

A pintura ajudou a consolidar no imaginário nacional a ideia de uma independência marcada por um ato único, grandioso e definitivo.

Uma ruptura que não foi igual para todos

Segundo Euges Lima, o 7 de setembro de 1822 representou o início da ruptura política com Portugal, mas não significou que todas as províncias brasileiras tenham imediatamente reconhecido a autoridade de D. Pedro.

As primeiras adesões ao projeto de independência estavam concentradas no Centro-Sul, em províncias como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em outras regiões, sobretudo no Norte, as relações com Portugal eram mais estreitas, e a adesão ao projeto liderado por D. Pedro ocorreu de forma mais lenta.

Foi o caso da Bahia, do Piauí, do Maranhão e do Grão-Pará. Nessas regiões, a independência foi sendo construída em diferentes momentos e, em muitos casos, esteve diretamente relacionada a conflitos e ações militares.

“Como processo, o 7 de setembro de 1822 foi apenas o início da ruptura política com Portugal”, destaca o professor.No Maranhão, a resistência ao projeto de D. Pedro se prolongou por meses. A província permanecia leal a Portugal e não havia aderido à independência proclamada no Centro-Sul.

O cenário começou a mudar com a atuação de Lord Cochrane, oficial e comandante naval britânico contratado pelo governo imperial brasileiro. A estratégia utilizada foi de pressão militar sobre a província. Cochrane ameaçou bombardear São Luís caso o Maranhão não reconhecesse a Independência.

A pressão contribuiu para a mudança do cenário político e, em 28 de julho de 1823, o Maranhão finalmente aderiu à Independência do Brasil — dez meses depois do 7 de Setembro.

A “Segunda Independência”

É nesse contexto que surge a ideia de uma “segunda Independência” do Maranhão. A expressão não significa que o estado tenha se tornado independente do Brasil, mas busca destacar a experiência particular vivida pela província no processo de ruptura com Portugal.

Para Euges Lima, o caso maranhense demonstra que não é possível compreender a Independência apenas a partir dos acontecimentos ocorridos em São Paulo em setembro de 1822.

“A adesão do Maranhão, portanto, evidencia que a Independência do Brasil não aconteceu de maneira uniforme nem simultânea em todo o território”, afirma.

A história maranhense daquele período foi marcada por uma temporalidade própria. Enquanto o 7 de Setembro passou a representar nacionalmente o rompimento com Portugal, no Maranhão a ruptura só se consolidaria meses depois, em meio a disputas políticas, conflitos militares e pressão externa.

Por isso, o 28 de julho ocupa um lugar particular na memória histórica do estado. A data ajuda a contar uma história de independência que vai além do episódio retratado nos livros e nas pinturas e revela um Brasil ainda dividido por interesses, lealdades e diferentes projetos políticos.

A Independência foi, portanto, um processo. E, no Maranhão, esse processo teve outro tempo, outros personagens e outros conflitos. Dez meses depois do grito que entrou para a história, a ruptura com Portugal finalmente chegava à província.

O Maranhão e a Independência

– 7 de setembro de 1822

D. Pedro proclama a Independência, às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo. O episódio passa a ser considerado o marco da Independência do Brasil.

– Centro-Sul

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão entre as primeiras províncias a aderirem ao projeto de independência liderado por D. Pedro.

– Norte/NordesteBahia, Piauí, Maranhão e Grão

-Pará mantêm relações mais estreitas com Portugal e resistem inicialmente ao projeto de D. Pedro.

– 28 de julho de 1823

O Maranhão adere à Independência, dez meses após o 7 de Setembro.

– Lord Cochrane

O comandante naval britânico, contratado pelo governo imperial brasileiro, exerce pressão militar sobre a província e ameaça bombardear São Luís caso o Maranhão não reconheça a Independência.

 

Por oimparcial