PF aponta repasse de R$ 11 milhões à esposa do senador Weverton Rocha em operação do STF

De acordo com a Polícia Federal, a conta pessoal de Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha era utilizada para canalizar repasses financeiros

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou operações de busca e apreensão e o afastamento do sigilo de dados telefônicos (ERBs) contra uma rede suspeita de lavagem de capitais. O foco das investigações é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), apontado como suposto beneficiário final, e o advogado Willer Tomaz de Souza, descrito pela Polícia Federal (PF) como um “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” a serviço do parlamentar.

A decisão abrange 11 pessoas físicas e jurídicas, incluindo familiares do senador e escritórios de advocacia. As investigações apontam para um esquema financeiro destinado a ocultar a origem de recursos supostamente derivados de corrupção passiva no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

 

Entre os valores de maior destaque citados na decisão de Mendonça está a compra de uma mansão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, avaliada em R$ 6 milhões e apontada como a residência do senador.

Embora o parlamentar tenha negociado o imóvel — com R$ 4 milhões de sinal e R$ 2 milhões de saldo —, a aquisição foi formalizada em abril de 2023 em nome da empresa WT Administração de Imóveis, ligada a Willer Tomaz.

O levantamento financeiro indica ainda que Samya Rocha, esposa de Weverton, recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer ao longo do período investigado. Em um episódio específico em 2024, após a cobrança de uma transferência de R$ 500 mil, a quantia foi confirmada como depositada na conta pessoal de Samya.

A PF também identificou uma triangulação de recursos envolvendo a Qualitech Engenharia, que transferiu R$ 5 milhões para o Posto Petro São Francisco. No mesmo dia, o posto repassou o valor idêntico para a DJ Agropecuária, empresa que recebe repasses recorrentes do grupo.

As apurações detalham ainda movimentações de dinheiro em espécie nos valores de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, vinculadas ao uso de aeronaves privadas para viagens entre Brasília e o Maranhão. Em maio, a polícia apreendeu R$ 1 milhão em espécie com um suspeito que faria a entrega do montante a um ex-assessor de Weverton.

Núcleo familiar e operacional

Segundo a decisão, a estrutura contava com divisões de tarefas entre familiares e operadores do senador. Sua filha, Anna Catarina Rocha, atuava na gestão dos postos Petro São Francisco e Petro São José, onde teria forjado contratos de mútuo para justificar repasses de R$ 5 milhões e R$ 2 milhões.

Fayla Zulmira Menezes, identificada como “Financeiro WT”, era a operadora responsável por controlar os saldos e executar pagamentos a pedido de Willer Tomaz e Weverton. Já na retaguarda familiar, a irmã Geyse Rocha administrava as propriedades rurais e as empresas de radiodifusão, enquanto a outra irmã, Shainess Rocha, era utilizada como conta de passagem, com registros de depósitos em espécie e transferências nos valores de R$ 130 mil e R$ 170 mil.

Medidas e restrições

Mendonça autorizou o acesso a dados de nuvem, dispositivos eletrônicos e a apreensão de itens de luxo (joias, obras de arte e veículos) caso não tenham origem comprovada. Especificamente sobre os escritórios de advocacia (Aragão e Willer Tomaz Advogados), o ministro ressaltou que a medida é excepcional e deve focar na rubrica contábil “AT”, preservando o sigilo de clientes estranhos à investigação;

Foi deferido ainda o rastreamento por ERBs do celular de Willer pela operadora Vivo, limitando às 24 horas que antecedem a operação, para garantir sua localização exata, dado o seu acesso a estruturas de deslocamento aéreo privado.

O caso é um desdobramento da Operação Sem Desconto e se baseia em dados extraídos do celular do próprio senador Weverton Rocha. A PF sustenta que a estrutura de Willer Tomaz funciona para dissimular a propriedade de bens e direitos provenientes de infrações penais.

Embora o Ministério Público Federal tenha se manifestado contra as buscas, sugerindo apenas quebras de sigilo, Mendonça considerou as medidas necessárias para evitar o perecimento de provas digitais e a ocultação de valores.

* Fonte: Correio Braziliense